Como tomar cogumelos Alucinógenos

A reposta para a pergunta ‘como dropar cogumelos’ é simples: quem consome cogumelos alucinógenos pega um pedaço e come. Mas existem várias outras coisas para se considerar antes de ingerir cogumelos alucinógenos, também conhecidos como cogumelos mágicos. Veja todo o conteúdo abaixo antes de decidir se vai se aventurar com essa droga.

De que cogumelos estamos falando?

Os Psilocibes

Estamos falando de cogumelos que são alucinógenos,  não de champignons. Neste artigo nos referimos a Psilocibes, especialmente cubensis e semilanceata. Essas variedades contêm psilocina e psilocibina, que são substâncias com efeitos psicodélicos semelhantes ao LSD, embora geralmente menos abruptos e de menor duração.

Nota: em vez de conter psilocina e psilocibina, o Amanita Muscaria contém ácido ibotênico, muscimol e muscazona, tendo diferentes efeitos, doses, riscos e formas de reduzi-los daqueles que discutimos neste folheto. Portanto, antes do consumo de Amanita recomendamos o uso de outras fontes de informações especializadas.

Que efeitos têm: prazeres e riscos

Primeiros sintomas e efeitos secundários

É comum dilatar as pupilas e diminuir a pressão sanguínea depois de consumir cogumelos. No princípio é comum  também bocejar (geralmente sem sono) e uma leve sensação de sonolência, bem como náusea e fraqueza. Como efeitos colaterais também podem causar calafrios, tonturas, dores de cabeça, boca seca, suores e até aumento da temperatura corporal.

Dependendo da dose consumida, da sensibilidade individual aos ingredientes ativos e se ao ingerir os cogumelos o estômago estava cheio ou não, os efeitos podem levar de 15 minutos a mais de uma hora para começar.

A duração total da experiência será de 4 a 6 horas, com algumas horas a mais de recuperação até retornar à normalidade completa.

Boas vibrações

Risos e euforia são típicos dos estágios iniciais da jornada ou do uso de doses baixas. Posteriormente, de uma forma geral, passa-se para um estado de calma e tranquilidade, acompanhado por uma acentuada sensação de lucidez e clareza de espírito, tão marcantes que é frequente passar a ter uma nova perspectiva, por onde as coisas vivenciadas são vistas e interpretadas como uma forma de revelação autêntica. Tais experiências podem se referir a questões pessoais, metafísicas ou religiosas de cada pessoa,  que dizem respeito a toda a humanidade ou a todo o universo.

A percepção de mundo fica alterada: a passagem do tempo diminui, acelera ou desaparece, afetando diretamente a noção de passado, presente e futuro. As cores brilham de maneira diferente, as formas se deformam, se observam luzes e sons estranhos e alucinações com os olhos fechados. Usando doses altas, você vê mais com os olhos fechados do que abertos (“feche os olhos e você verá”).

Tudo isso pode ser experimentado como algo fascinante, altamente impressionante e bonito, e pode nos levar a um estado emocional de autêntica satisfação e gratificação, um estado que muitas vezes será compartilhado com o resto da comunidade e as pessoas presentes, podendo estabelecer uma comunicação e laços emocionais extraordinariamente intensos.

Cogumelo Psilocybe cubensis

Viagem errada

No entanto, a alteração das emoções, percepções e pensamentos nem sempre se apresentam como sendo amigáveis e engraçadas. O que é vivenciado pode perfeitamente ser experimentado como horrível e angustiante. A mudança de perspectiva em nossa maneira de pensar pode muito bem nos levar a dizer algo como: “Eu não entendo nada sobre este mundo”, e revelações místicas podem nos levar a visitar o inferno em vez do paraíso, assim como as revelações metafísicas podem nos fazer entender que não apenas somos miseráveis, mas também toda a humanidade. Por fim, o riso pode se transformar em choro e a calma em pânico e ansiedade.

De fato, não é incomum que a mesma viagem passe por momentos sucessivos e angustiantes. Qualquer mudança no ambiente, no que fazemos ou no que vem à mente pode redirecionar a experiência em um sentido ou outro e nos fazer passar do fascínio ao horror ou vice-versa.

Por esse motivo, diante de sensações desagradáveis, é possível redirecionar a viagem para algo mais agradável simplesmente tentando pensar em outras coisas, fazer algo diferente ou mudar o ambiente (música, local etc.). No entanto, às vezes (especialmente com altas doses) isso pode ser muito difícil, e a pessoa pode ficar presa em uma espécie de círculo vicioso com pensamentos recorrentes sobre o mesmo assunto que não sai da cabeça (tipo “fiquei louco”, ou “eles me perseguem”). Esta é a viagem errada.

Há quem considere que mesmo uma viagem errada pode ser entendida de um ponto de vista positivo, porque afirmam que, a partir de experiências ruins, você pode aprender tanto ou mais que com as boas. Ainda assim, não há dúvida de que é uma péssima experiência e assumir o lado positivo pode não ser tão fácil: requer trabalho, autoanálise e reflexão (talvez seja por isso que muitas pessoas não queiram nem ouvir falar de viagens erradas).

Como enfrentar uma viagem errada

Diante de uma viagem errada devemos tentar fazer com que a pessoa (ou nós, se for o caso) relaxe e se acalme.

  • Não deixe a pessoa sozinha.
  • Nunca tente tranquilizá-la com um tapa ou outro comportamento violento.
  • Não sussurrar para outras pessoas na sua presença pois pode aumentar sentimentos de paranoia.
  • Se queremos tranquilizá-la, devemos estar tranquilos e quietos: sem gritos, confusão ou nervosismo.
  • Se estivermos em um local barulhento ou lotado, levar a pessoa a um local menos movimentado.
  • Falar devagar e respeitar sua disposição de conversar ou permanecer em silêncio. Não forçar a pessoa a falar ou nos ouvir.
  • Dizer-lhe para respirar lenta e profundamente. Se necessário, definir o ritmo.
  • Lembrar à pessoa que ela consumiu cogumelos e que está tendo uma viagem errada que passará quando os efeitos estiverem passando.

Isso pode ser suficiente para viagens ruins relativamente suaves. Há ocasiões, no entanto, em que a pessoa será imune a qualquer tipo de abordagem objetiva que propomos. Por exemplo, às vezes não adianta dizer que “é por causa dos cogumelos que está tendo estas reações”. Por isso será conveniente nos limitarmos a transmitir uma sensação de segurança simplesmente através de nossa atitude. Ponha uma mão no ombro, um casaco ou um cobertor enrolado em torno da pessoa, peça-a para fechar os olhos e respirar lentamente. Pode colocar uma música tranquila e dizer pequenas frases de apoio como “deixe-se levar pela experiência” ou “continue”, porque, nesse ponto, a única maneira de sair do círculo vicioso da uma viagem errada é se render e deixar ir.

Também haverá casos em que a angústia não irá parar até os efeitos dos cogumelos desaparecerem. Acima de tudo, temos que ser pacientes e permanecermos calmos, seguros e próximos daqueles que sofrem uma viagem errada.

Existem outras dicas sobre como sair de uma bad trip na página específica deste site.

Se a situação estiver complicada, ou se a pessoa socilitar

Ligue para 192 – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)

Mitos: As histórias de tomar vitamina C, laticínios ou açúcar para combater a má viagem não têm base científica, uma vez que a psilocibina já está ativa e fazendo efeito na mente.  Beber leite ou suco de laranja não mudará nada, a menos que acreditemos na sugestão e no efeito placebo. Outras dicas de como cortar o efeito de drogas podem ser vistas na página específica desse site.

Outros problemas, mais graves, mas menos frequentes

A grande maioria das viagens ruins não têm grandes consequências quando os efeitos desaparecem. No entanto, há casos em que essas intensas experiências angustiantes acabam tendo repercussões negativas a longo prazo, geralmente dando origem a algum tipo de estado depressivo, ansioso ou paranoico que pode ser mantido por períodos relativamente longos e pode até exigir atendimento especializado.

O consumo de cogumelos (com ou sem uma viagem ruim) pode causar problemas psicológicos. A maioria das pessoas que consomem cogumelos não enlouquecem ou têm distúrbios depressivos ou ansiedade por consumi-los. No entanto, para algumas pessoas mais vulneráveis ​​ou predispostas a esses tipos de problemas, pessoas menos estáveis psiquicamente ​​ou com um distúrbio já latente, o consumo de cogumelos pode atuar como um gatilho que desencadeia algum desses distúrbios.

A ocorrência de flashbacks (re-experimentar os efeitos alguns dias ou até semanas após o consumo), além de não ser tão frequente,  é geralmente de gravidade mínima. A maioria dos flashbacks consiste em distorções leves e muito breves de percepção que nem são experimentadas de maneira desagradável. No entanto, existem pessoas que sofrem flashbacks muito mais intensos e duradouros e, às vezes, os experimentam com verdadeiro horror e pânico e, em raras ocasiões, podem haver complicações psicológicas como resultado.

Deve-se notar que:

Doses baixas e consumo ocasional não são isentos de riscos, mas a possibilidade de vivenciar problemas é maior quando doses altas são consumidas regular e continuamente. O recomendável é não exceder a um uso mensal, o que  já é muito.

Pessoas com histórico pessoal de complicações psicológicas (mesmo aqueles com histórico familiar) devem ser especialmente cautelosas e moderadas no consumo de cogumelos. Dependendo do caso e da gravidade, pode ser totalmente contra-indicado; portanto,  deve-se consultar um especialista com antecedência.

Aqueles que estão passando por períodos de instabilidade emocionais, momentos difíceis e contratempos na vida, seria aconselhável não tomar cogumelos. Se você experimenta estados de ansiedade, depressão ou paranoia dias após consumir (por exemplo pensar que “todo mundo olha para mim, eles falam de mim”), é um sinal de alarme e aconselha-se a interromper temporariamente o uso de drogas e, se as coisas não melhorarem, buscar ajuda especializada. Muitos visitantes deste site já relataram paranoias que não passam, então criei uma página sobre dicas sobre o que fazer em caso de paranoias e viagens que não passam.

Outros tipos de problemas associados ao uso de outras drogas (como dependência ou overdose fatal) não são aplicáveis ​​no caso dos cogumelos com psilocibina: tecnicamente eles não podem ser considerados viciantes, assim como também é tecnicamente impossível uma overdose fatal (teriam que ser ingeridos tantos cogumelos que o próprio corpo rejeitaria vomitando antes de digeri-los). Consequentemente, os principais riscos associados ao consumo de cogumelos se referem aos problemas psicológicos já discutidos.

Cogumelo Psilocybe semilanceata

Alguns conselhos antes de tomar cogumelos

  • Não insista para que alguém consuma ou pare de consumir cogumelos. Isso é  uma decisão que cada um deve tomar por conta própria. Se alguém não quer consumir, é melhor respeitá-lo. Lembre-se também que a companhia de alguém sóbrio é sempre boa, caso surjam problemas.
  • Escolha bem as companhias. Especialmente às primeiras vezes é melhor conhecer quem quer que esteja conosco. Se houver mal entendidos por algum motivo, é melhor deixar o consumo para outra ocasião.
  • Escolha bem o local. Consuma em um local onde se sinta confortável, seguro e à vontade.
  • Escolha bem o momento. Evite consumir se não estiver no seu melhor dia.
  • Calcule bem a dose. Se você planeja consumir em festas ou raves, as doses baixas ou médias serão as mais apropriadas. As doses altas são melhor consumidas em ambientes silenciosos, como em casa.
  • Devido à variação no tamanho dos cogumelos, o mais adequado é medir a dosagem em gramas e não em unidades.
  • Devido à variação no conteúdo de psilocibina e psilocina entre um cogumelos e outro, o mais recomendado é tritura-los de uma maneira que obtemos uma concentração homogênea que será a média de todos os cogumelos que temos.
  • Enquanto durarem os efeitos, não dirija ou realize atividades que podem representar perigo ou exigir uma boa atenção e reflexos.
  • Mantenha a prudência até o final da experiência. Às vezes, os riscos aumentam no momento da descida, quando ocorre um sentimento de “falsa segurança” que pode nos levar a realizar comportamentos de risco quando ainda não estamos totalmente no controle de nós mesmos.
  • Antes do consumo, deixe tudo bem planejado e verifique se você não tem preocupações como ter que voltar para casa em um determinado momento ou algo semelhante; especialmente no caso de doses elevadas, estas preocupações podem comprometer toda a experiência, impedindo o desfrute dos efeitos desejados e aumentando as sensações de angústia e perda de controle.
  • Leve também em consideração o dia seguinte, quando se trata de ressacas e recaídas. Tenha um dia calmo, evite problemas e permita-se descansar e assimilar a experiência com prazer.
  • Tente consumir com o estômago vazio, pelo menos algumas horas sem ter comido, isso reduzirá o possível desconforto estomacal e facilitará a obtenção de maiores efeitos com doses mais baixas.
  • Consumir algum tipo de alimento (iogurtes, chocolate) no final da viajem produzirá sensações prazeirosas e agradáveis, bem como ajudará a recuperar nutrientes e energia e favorecerá a retomada de contato com a realidade.
  • Tenha cuidado com as misturas, especialmente álcool e anfetaminas, pois o estômago pode sofrer.

O que diz a lei

Legalmente, psilocibina e psilocina são consideradas drogas ilícitas. Tráfico, cultivo, produção ou facilitação e promoção de seu consumo constitui crime contra a saúde pública podendo gerar multas e prisões.

Tipos de psilocibes

AVISO: Este post é apenas indicativo e não substitui, de forma alguma, a necessidade de consultar guias especializados e a receber conselhos de pessoas experientes na identificação de cogumelos psilocibicos. Deve-se lembrar que alguns desses cogumelos podem ser facilmente confundidos com espécies venenosas. Por isso recomenda-se saber identificar sem nenhuma dúvida cada cogumelo que se vá coletar ou consumir.

Psilocybe semilanceata

Chapéu: 2,5-5 cm. de diâmetro, de cônico a queimado.

Cor: de marrom escuro a amarelado, dependendo da idade e umidade. Muito viscoso se a umidade ambiente for alta.

Lamelas: cor clara no cogumelo jovem, que fica marrom e cinza à medida que amadurece.

Haste: 40-100 mm de altura por 0,7-2 mm de espessura. É muito longo e sinuoso: os chapéus geralmente aparecem acima da grama. Não tem anel.

Cor dos esporos: marrom-roxo escuro.

Habitat e distribuição: cresce em prados e áreas de pasto onde há esterco de vaca ou cavalo. Nunca cresce diretamente no estrume. A estação é final do verão ao outono.

Psicoatividade: o nível de substâncias ativas pode variar entre 0,2% e 2,37%, ou seja, moderadamente ativo a extremamente poderoso.

Dosagem:

FrescosSecos
Dose baixa8 a 10 gramas0,8 a 1 grama
Dose média10 a 20 gramas1 a 2 gramas
Dose alta20 a 30 gramas2 a 3 gramas
Dosagem de cogumelos Psilocybe semilanceata em termos de peso

Atenção: existem variedades de semilanceata (por exemplo os cogumelos holandeses) que são um pouco mais poderosos do que os indicados.

Observações: O cogumelo conhecido como Mongy é coletado no outono. Contém muito pouca psilocina e muita psilocibina, o que significa que pode ser conservada por um longo tempo, uma vez que a psilocibina é muito resistente a oxidação. É uma espécie seca realmente poderosa, se a compararmos com outras de consumo comum.

Stropharia cubensis (Psilocybe cubensis)

Chapéu: 1,5-8 cm. diâmetro. Cônico-queimado. Quando jovem, é convexo, mas com a idade se torna plano. Do marrom escuro vai para marrom dourado ou amarelo à medida que amadurece.

Lamelas: do cinza-acinzentado claro, com a idade, passa a marrom arroxeado e finalmente preto.

Haste: 40-150 mm de altura por 5-15 mm de largura. Torna-se azul quando tocado, pressionado ou machucado.

Esporos: variam de roxo-escuro a marrom-arroxeado.

Habitat e distribuição: aparece nos excrementos de vaca e cavalo.

Psicoatividade: o nível de substâncias ativas pode variar entre 0,75% até 3,3% em variedades cultivadas e selecionadas. Normalmente, doses superiores a 2g resultam em viagens recreacionais muito poderosas, mas existem variedades que com 1g já produzem transes intensos.

Dosagem:

FrescosSecos
Dose baixa10 a 15 gramas1 a 1,5 gramas
Dose média15 a 30 gramas1,5 a 3 gramas
Dose alta30 a 50 gramas3 a 5 gramas
Dosagem de cogumelos Stropharia cubensis em termos do peso

Atenção: Existem muitas variedades de Psilocybe Cubensis, cada uma com sua dose e potência correspondentes. Certifique-se de saber exatamente que variedade você vai consumir e quais doses são recomendadas. Esta tabela de orientação refere-se ao Psilocybe Stropaharia Cubensis.

Observações: Estes contém mais psilocina que psilocibina, por isso perderá potência quando armazenado por um longo tempo, uma vez que a psilocina oxida facilmente. É a espécie que é mais consumida e comercializada.

Normalmente, se alguém vai comprar cogumelos, eles venderão psilocibos Stropharia cubensis seco.

cogumelos alucinógenos para chá de cogumelo

Os 10 pontos essenciais

  1. Informe-se e tome suas próprias decisões.
  2. Para evitar imprudência, procure conselhos.
  3. Se surgirem problemas, não hesite em pedir ajuda.
  4. Responsabilize-se por seus atos. As pessoas podem observá-lo, ajudá-lo, mas não são sua babá.
  5. Não insista para que outros tomem ou parem de tomar. Respeite decisões.
  6. A primeira vez é recomendado consumir uma dose baixa para familiarizar-se com os efeitos.
  7. A dose alta é mais adequada para lugares calmos como uma casa. A dose mais baixa é mais adequada para festas e raves.
  8. Combinação com álcool pode facilmente causar nausea e vômito.
  9. Abstenha-se se tem problemas psicológicos ou está passando por uma fase difícil.
  10. Lembre-se de que são ilegais.

Autoria

Este artigo foi originalmente publicado por Energy Control, da Espanha, e reproduzido aqui com autorização. Para ver o original, acesse https://energycontrol.org/files/pdfs/Folleto+Setas.pdf. Todos os direitos reservados.

Energy Control é um grupo de pessoas que, independentemente de consumirem ou não, estão preocupadas com o uso de drogas nos espaços de lazer da juventude. Oferecem informações para diminuir os riscos de seu consumo. Mais informações (em espanhol) em: www.energycontrol.org.